terça-feira, 29 de dezembro de 2015

domingo, 13 de dezembro de 2015

segunda-feira, 26 de outubro de 2015




fecha os olhos e vê
fecha os olhos e vê-me
fecha os olhos.

porque não me vês?
nem com a ponta dos dedos?

apaga a luz.
 apaga a luz.
.
apaga a luz.

consegues apagar do corpo os sinais?
consegues apagar da mente as marcas?


está escuro.
não me vês.
mas estou lá.
de olhos abertos.


sou de ferro e carne.
sangue.

sangue e polaroids
 a desvanecer no espaço e no tempo.



perigo.
é um perigo.

[ ah! ah! ah! ah! ]
[agora a sério. não.]
 
a memória constrói-se.
cresce.
evolui.
distorce.
a memória e o tempo.
e estas marcas
que crescem e envelhecem
e ficam senis
e não são mais as marcas que eram.
do que eu sou
ou do eu que fui.
mas estão lá.

sem saber eu já
do que é que são.
 exemplo básico de metamorfose.

- - # - - 


falhar sempre
nem sempre melhor
tentar as vezes
as vezes que for preciso.
 nem sempre precisas.


morrer na praia.










...


sábado, 17 de outubro de 2015

- X -


-X-


d e   t i
 d e t i
deti

.

detive um coração
sem nome nem rosto
 apanhei-o sem querer

era noite de outono
e um pequeno acidente.

saiu-me numa rifa
daquelas sem prémio
[achava.]

- X-


tropecei-te
sem querer
tropeçaste
sem querer
tropeçámos
sem querer
caímos
sem querer
mas a querer
como quem brinca com o perigo
saíste-me em jackpot.
[a sorte grande e a terminação]


e agora por querer
como quem sozinho quer
contra todas as probabilidades
se fez querer e existir
a querer ser aí vem
a querer ser aí está
não tarda
e quis tanto

mais do que ela ou eu
.
[diz a magia para a ciência
qual milagre!]

-X-


ainda não te escrevi
e falo-te ainda entre dentes.
mal me sabes ainda
mas desconfias.
mas saberás um dia
que sem querer quiseste,
mais do que qualquer um.
mais do que ela ou eu,
e que mesmo sem saberes
foste tu quem mais quis.

por entre as leis
do universo e da razão
quebraste
todas as expectativas
e impuseste-te.
"Eu serei!"

fecho os olhos e ouço-te:
"e ainda assim aqui estou!"


e venero-te
por isso.
e admiro-te.
e amo-te.
e amo-te.

e amo-vos.

e um dia quando fores capaz de o entender
hei-de dizer-te
e mostrar-te
hás de saber
aquilo de que ainda sem seres
já foste capaz.



-X-



Capitulo Zero:

a grande epopeia d'
"o mais forte dos todos"

-X-


 

quarta-feira, 1 de julho de 2015




o fim
é um princípio fácil

tão fácil como outro princípio qualquer

deixar morrer
o que não tem apetência para viver

o resto
é só e apenas isso
o resto

a carne é só carne
e apodrece como tudo o resto
e essa ilusão de perdura
é só uma questão de tempo


tempo

tem - pó


porque o tempo só preserva o que o tempo falha em destruir
só é preciso mais tempo


tempo

tem pó

e o amanhã é só mais um resto
que nem os cães querem comer



era uma vez uma história
de uma pessoa
que eram todas as pessoas
que se esqueciam que tudo é efémero
e que um dia morrem
e os rios secam
e o sol explode
e tudo isto não é mais que uma ilusão


.



[ tool - parabol ]



sexta-feira, 12 de junho de 2015

[ ]



Era uma daquelas noites quentes de Lua Cheia no Verão.
Estávamos quase no solstício, mas ao contrário do esperado, foi a noite mais longa de que me lembro.

Faz hoje um ano.

Não adianta esfregar a pele com uma escova de aço. Do passado não reza a história, mas as cicatrizes não saem e estão lá para lembrar.

Do que fui. Do que sou.

Um ano depois, hoje digo
Sem sarcasmo e com um sorriso:
Obrigado.*

[  ]


quarta-feira, 6 de maio de 2015

[ a . d a n ç a ]






há uma rapariga e um pássaro

e uma floresta


a rapariga segue o pássaro


não sabe para onde vai


o pássaro pousa numa árvore


a rapariga encontra a árvore


na árvore há um rapaz


a rapariga encontra o rapaz


a rapariga segue o rapaz


não sabe para onde vai


o rapaz pára à beira rio


a rapariga encontra o rio


a rapariga segue o rio


a rapariga encontra o mar


no mar encontra outro pássaro


a rapariga segue o pássaro


não sabe para onde vai...








sábado, 4 de abril de 2015

#




houve um acidente
eram cindo da madrugada.
'foi só chapa'
pensava eu.

um ferido grave
e tu.







© 2015

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

[ m a r ]



.


a incerteza é uma casa de espelhos foscos
e uma lâmpada só
fundida

um cego de olhos bem abertos

na estrada
andar em circulos
pedras buracos obstáculos
e por fim o fim
cair

nos dedos a latência
nos dentes o ferro


s a l


roubado o espaço ao óbvio
ficam com o abismo todas as duvidas
para um amanhã
translúcido como o nada

no fundo do mar

ácido


como quem corrói o vazio
para o encher de mais vazio
mais
e mais
e mais


uma ideia longe




oxalá saber.





[#103]


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

#88


~

das noites roubadas ao sono
falam-me os dentes a verdade.
os meus.
entre o sangue e a saliva.
e tu
não sabes nem sonhas.

a fraude instala-se.
e a verdade...
nem eu sei.

sei escuro e temor
de quem já não sabe.
mas sente.

acordar a meio da noite
pra vir sofrer sozinho
numa terra de ninguém
onde não pertences
não és
e podes mergulhar
sozinho.
seguro.
rever o negrume
desmanchar os sonhos.
esvair.

fica o que há por dizer.
e este buraco
do tamanho de uma insónia
atrás da outra
atrás da outra
atrás da outra.

querer acreditar não basta.

.

[eu também tenho os pés frios à noite ]


~


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

sábado, 3 de janeiro de 2015


não é ter resoluções.
é ter atitudes.
sem acção de nada vale ter intenções.

começar por algum lado.
roupa lavada. arrumar gavetas.
tem que haver um plano
tem que haver sempre um plano

arder e aprender.

*