quarta-feira, 2 de agosto de 2017



se ao menos do vazio
brotasse
como flores do campo
um aroma a verdade.

como quem agarra com unhas e dentes
e rasga na pele a ânsia de querer.

ao invés

lava. lava.
esfrega. esfrega.
apaga. apaga.
esconde. esconde.

dissimula.

agarra com as unhas os dentes que caem
com cada mentira.
com cada mentira.
com cada mentira.


lava. lava.
esfrega. esfrega.
apaga. apaga.
esconde. esconde.

desvanece.


d e s a p a r e c e.


e se ao menos soubesse..







( imagem: fonte desconhecida )


quinta-feira, 3 de novembro de 2016


*



"quando formos velhos
se um dia formos velhos
quem irá querer saber quem tinha razão?
de olhos na falésia
espera pelo vento
ele dá-te a direcção"










e quem diz o vento,
diz uma palmadinha nas costas.







*

quarta-feira, 22 de junho de 2016








you will never understand the lengths i go to light your way

you will never understand the depths i sink to light your way






sábado, 12 de março de 2016



sem dom de palavra
caem os actos.
sozinhos.
vazios.
desprovidos de sentido.
do tentar do Beckett:
morrer no mar,
qual Bas Jan Ader.
partir com rumo e destino
é um luxo de poucos.
os comuns
vulgares e bastardos
morrem sozinhos na berma da estrada.
apodrecem ao sol junto à quina do passeio.


E S - T É - R I L

inutil; vã; vão;
e na volta
não volta
se não vazio.
perdeu a fé.
tutano que não corrói
lingua lancetada
plo ar que passa entre os dentes:
veneno.
 ferro e enxofre.
amoníaco

agonia.

estéril
é uma palavra de ordem
escrita a poeira e areia seca
no tapete da entrada
 de tanto bater o pé
 gastou-se a sola do sapato
abriu-se um buraco no chão
e caiu.
morreu.
 
f i m .
 

 

 

[ the future embrace ]








terça-feira, 29 de dezembro de 2015

domingo, 13 de dezembro de 2015

segunda-feira, 26 de outubro de 2015




fecha os olhos e vê
fecha os olhos e vê-me
fecha os olhos.

porque não me vês?
nem com a ponta dos dedos?

apaga a luz.
 apaga a luz.
.
apaga a luz.

consegues apagar do corpo os sinais?
consegues apagar da mente as marcas?


está escuro.
não me vês.
mas estou lá.
de olhos abertos.


sou de ferro e carne.
sangue.

sangue e polaroids
 a desvanecer no espaço e no tempo.



perigo.
é um perigo.

[ ah! ah! ah! ah! ]
[agora a sério. não.]
 
a memória constrói-se.
cresce.
evolui.
distorce.
a memória e o tempo.
e estas marcas
que crescem e envelhecem
e ficam senis
e não são mais as marcas que eram.
do que eu sou
ou do eu que fui.
mas estão lá.

sem saber eu já
do que é que são.
 exemplo básico de metamorfose.

- - # - - 


falhar sempre
nem sempre melhor
tentar as vezes
as vezes que for preciso.
 nem sempre precisas.


morrer na praia.










...


sábado, 17 de outubro de 2015

- X -


-X-


d e   t i
 d e t i
deti

.

detive um coração
sem nome nem rosto
 apanhei-o sem querer

era noite de outono
e um pequeno acidente.

saiu-me numa rifa
daquelas sem prémio
[achava.]

- X-


tropecei-te
sem querer
tropeçaste
sem querer
tropeçámos
sem querer
caímos
sem querer
mas a querer
como quem brinca com o perigo
saíste-me em jackpot.
[a sorte grande e a terminação]


e agora por querer
como quem sozinho quer
contra todas as probabilidades
se fez querer e existir
a querer ser aí vem
a querer ser aí está
não tarda
e quis tanto

mais do que ela ou eu
.
[diz a magia para a ciência
qual milagre!]

-X-


ainda não te escrevi
e falo-te ainda entre dentes.
mal me sabes ainda
mas desconfias.
mas saberás um dia
que sem querer quiseste,
mais do que qualquer um.
mais do que ela ou eu,
e que mesmo sem saberes
foste tu quem mais quis.

por entre as leis
do universo e da razão
quebraste
todas as expectativas
e impuseste-te.
"Eu serei!"

fecho os olhos e ouço-te:
"e ainda assim aqui estou!"


e venero-te
por isso.
e admiro-te.
e amo-te.
e amo-te.

e amo-vos.

e um dia quando fores capaz de o entender
hei-de dizer-te
e mostrar-te
hás de saber
aquilo de que ainda sem seres
já foste capaz.



-X-



Capitulo Zero:

a grande epopeia d'
"o mais forte dos todos"

-X-


 

quarta-feira, 1 de julho de 2015




o fim
é um princípio fácil

tão fácil como outro princípio qualquer

deixar morrer
o que não tem apetência para viver

o resto
é só e apenas isso
o resto

a carne é só carne
e apodrece como tudo o resto
e essa ilusão de perdura
é só uma questão de tempo


tempo

tem - pó


porque o tempo só preserva o que o tempo falha em destruir
só é preciso mais tempo


tempo

tem pó

e o amanhã é só mais um resto
que nem os cães querem comer



era uma vez uma história
de uma pessoa
que eram todas as pessoas
que se esqueciam que tudo é efémero
e que um dia morrem
e os rios secam
e o sol explode
e tudo isto não é mais que uma ilusão


.



[ tool - parabol ]



sexta-feira, 12 de junho de 2015

[ ]



Era uma daquelas noites quentes de Lua Cheia no Verão.
Estávamos quase no solstício, mas ao contrário do esperado, foi a noite mais longa de que me lembro.

Faz hoje um ano.

Não adianta esfregar a pele com uma escova de aço. Do passado não reza a história, mas as cicatrizes não saem e estão lá para lembrar.

Do que fui. Do que sou.

Um ano depois, hoje digo
Sem sarcasmo e com um sorriso:
Obrigado.*

[  ]


quarta-feira, 6 de maio de 2015

[ a . d a n ç a ]






há uma rapariga e um pássaro

e uma floresta


a rapariga segue o pássaro


não sabe para onde vai


o pássaro pousa numa árvore


a rapariga encontra a árvore


na árvore há um rapaz


a rapariga encontra o rapaz


a rapariga segue o rapaz


não sabe para onde vai


o rapaz pára à beira rio


a rapariga encontra o rio


a rapariga segue o rio


a rapariga encontra o mar


no mar encontra outro pássaro


a rapariga segue o pássaro


não sabe para onde vai...








sábado, 4 de abril de 2015

#




houve um acidente
eram cindo da madrugada.
'foi só chapa'
pensava eu.

um ferido grave
e tu.







© 2015

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

[ m a r ]



.


a incerteza é uma casa de espelhos foscos
e uma lâmpada só
fundida

um cego de olhos bem abertos

na estrada
andar em circulos
pedras buracos obstáculos
e por fim o fim
cair

nos dedos a latência
nos dentes o ferro


s a l


roubado o espaço ao óbvio
ficam com o abismo todas as duvidas
para um amanhã
translúcido como o nada

no fundo do mar

ácido


como quem corrói o vazio
para o encher de mais vazio
mais
e mais
e mais


uma ideia longe




oxalá saber.





[#103]


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

#88


~

das noites roubadas ao sono
falam-me os dentes a verdade.
os meus.
entre o sangue e a saliva.
e tu
não sabes nem sonhas.

a fraude instala-se.
e a verdade...
nem eu sei.

sei escuro e temor
de quem já não sabe.
mas sente.

acordar a meio da noite
pra vir sofrer sozinho
numa terra de ninguém
onde não pertences
não és
e podes mergulhar
sozinho.
seguro.
rever o negrume
desmanchar os sonhos.
esvair.

fica o que há por dizer.
e este buraco
do tamanho de uma insónia
atrás da outra
atrás da outra
atrás da outra.

querer acreditar não basta.

.

[eu também tenho os pés frios à noite ]


~


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

sábado, 3 de janeiro de 2015


não é ter resoluções.
é ter atitudes.
sem acção de nada vale ter intenções.

começar por algum lado.
roupa lavada. arrumar gavetas.
tem que haver um plano
tem que haver sempre um plano

arder e aprender.

*


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

sessenta dias.




uma espinha na garganta
todos os dias
a lembrar-me que pela boca morre o peixe.

"nunca digas nunca."
outra vez, para aprenderes.

sentir-te o amor
sentir o amor
sentir-te sair
de casa.

da impotência
nada a fazer.
sem medo, como um abraço
posso adormecer tranquilo:
"fui feliz."
e da distancia a visão.
espaço. tempo. dimensão.

diz que da dúvida nasce o caminho
para onde?

luz. ]

ninguém vê as coordenadas
de olhos abertos.

~

faz-me falta.
[esse] amor.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2014