quarta-feira, 20 de junho de 2012

domingo, 17 de junho de 2012



a Catarina Câmara Pereira falou-me um dia em 2003 sobre os acidentes. disse-me que foi por acidente que um dia um pasteleiro descobriu a massa folhada, disse-me que é dos acidentes que nascem as descobertas, que os acidentes são os pontos de viragem, as rupturas, o "erro". relembro isto e aquela frase do Beckett sobre o "falhar".

estava longe de imaginar a dimensão de tal sentença.

domingo, 10 de junho de 2012



Mãe, ganhei outro óscar, mas agora vou dormir. Sim, desculpa. Preciso que o sono venha para que me acorde o cérebro antes que me torne um qualquer ser inanimado.
Amanhã ou o mais tardar na segunda dou-te um abraço, tu retribuís-me com um beijo. Não desconfias que é a ti que devo tudo, mas um dia, quando estiver lá longe, estarei a escrever-te cartas que espero ainda consigas ler, a dizer-te o quanto te devo aquilo em que me tornei e o orgulho que tenho nisso.
Com amor.
Beijo.


G.




sábado, 9 de junho de 2012


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O Forrest dizia que a vida é como uma caixa de chocolates. E enquanto como um com aroma particularmente agradável, penso nestas coisas. Em todas as apostas que teria perdido em duas semanas. Em todas as surpresas. Em todas as chapadas de luva branca que levei em tão pouco tempo. Em todas as promessas que não se cumpriram. Em todas as pancadinhas nas costas. Em todas as verdades irrefutáveis que se desvaneceram. Em todas as ilusões.

O que me move neste mundo são as pessoas. E as que me rodeiam não me percebem quando lhes digo que pretendo partir. É verdade que se diz que por norma depositamos esperanças nos desconhecidos porque esses ainda não tiveram oportunidade de nos desiludir. Mais tarde ou mais cedo acabarão por fazê-lo, certo, mas o que é que se faz com aqueles que entretanto já o fizeram?


O Sr. Carlos, que deus o tenha, se existir, dizia-me quando eu tinha os meus 11 anos:

"Gonçalo, os amigos desta vida, aqueles, os verdadeiros amigos, e a contar com a família, contam-se pelos dedos de uma mão, e dessa mão, ainda têm que sobrar dedos."


E é preciso que quebres os dentes no asfalto para os encontrar. Tarefa mais ou menos regular para tipos como eu.

Um bilhete de ida não vai trazer quantidade, nem qualidade, não vai trazer nada. Apenas a certeza de quem és. O Eu define-se de duas formas, de tão opostas que são que até parece que andam de mão dada. E em qualquer dos casos, partir é um abraço de ambas.



(Deixaremos as páginas do diário e voltaremos ao trabalho regular em breve, prometo.)


quarta-feira, 6 de junho de 2012

terça-feira, 5 de junho de 2012


at last we meet again..



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©AcoldZerø2012




um pedaço de história, em contexto nos dias que correm.



durante uma parte algo complicada da minha vida, vi-me influenciado de várias maneiras pelo universo grunge. sim, eu também sou um desses. fez parte da minha geração, de uma parte da minha vida. entre as letras, a musica, a sonoridade, aquela coisa suja dos anos 90, ainda trago algumas bandas dessa altura como bandas de culto, algumas delas até que ainda ouço de quando em vez. outras porventura continuam cravadas a ferro, por dentro da pele. é difícil em certa medida estabelecer hierarquias entre elas, dado que fazem todas parte de um universo, e todas as elas me marcaram num contexto comum, no entanto há uma coisa ou outra que se destaca no meio das outras. quem me conhece mais de perto, conhece a minha relação com os Smashing Pumpkins. Tenho um MellonCollie imaculado que nunca o coloquei a tocar, e dele advém o nickname que já tem cerca de década e meia. no liceu usava uma sweatshirt com a capa do meloncollie à frente, e aquela coisa com a estrela e com o "ZERO" igual à do Billy, atrás, quase que a fazer lembrar um equipamento de um qualquer desporto. diziam-me às vezes nos intervalos das aulas: "és um zero, tu!". e sou. sempre fui. aquele nickname vem daí mesmo, e da musica, e da letra dessa musica, que ainda hoje tem o meu retrato estampado. e se nessa altura era um addicted dos recortes de jornais e revistas, há uma memória que guardo dessa altura, que é a guitarra do Billy com um autocolante que diz "born to lose".
olá. o meu nome é gonçalo e esta é a minha história.

segunda-feira, 4 de junho de 2012


Eu não sei o que faço aqui
sei que faço alguma coisa
pequenas coisas sem importância
às vezes aborreço-me não é grave
fico apenas um pouco mais triste
depois levanto a cabeça
os ombros vacilam
transporto uma loba mas não sei até quando
uma loba que vai deixando o pelo
na casa do poema na cave acumulada
 por um sábio que não sabe nada
nem cuidar de si nem cuidar
dos homens —
aparentemente foi tudo morrendo
neste reino de pequenos casamentos
de conveniência: ficaram
 a insânia sem garganta e figuras de musgo
que não conhecem a separação entre o ser
e as nuvens
as nuvens que envolvem
 os caminhos do corpo
as pegadas de um vírus que não cessa de
cantar o pó, tão fácil
de soprar. Chove. A chuva
pede que me cale.


Casimiro de Brito                                       



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©AColdZerø2012




sábado, 2 de junho de 2012



Não confundir.
Eu não [te] procuro [n]as respostas. Só [te] procuro entender [n]as perguntas,  [n]as minhas.
É que a noite sempre me foi confusa em revelações, tão traiçoeira quanto a lua.
Não sei as premissas, mas sou eu.
Não temas como eu não temo.
[nota: ler nas entrelinhas aqui]

Respirar.

Da luz se faz o trilho para o que se [pre]vê, e é por isso que gosto das manhãs.


sexta-feira, 1 de junho de 2012