quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A solidão é como uma chuva. 

Ergue-se do mar ao encontro das noites; 
de planícies distantes e remotas 
sobe ao céu, que sempre a guarda. 
E do céu tomba sobre a cidade. 

Cai como chuva nas horas ambíguas, 
quando todas as vielas se voltam para a manhã 
e quando os corpos, que nada encontraram, 
desiludidos e tristes se separam; 
e quando aqueles que se odeiam 
têm de dormir juntos na mesma cama: 

então, a solidão vai com os rios... 





Rainer Maria Rilke, in "O Livro das Imagens" 






lousã
©acoldzero

2 comentários:

andreia disse...

a solidão, não cria espaço para as pessoa entrarem, quando lhe damos a mão.

acoldzer∅ disse...

é dificil para mim escrever o que quer que seja sobre a solidão depois de um poema destes. todas as minhas palavras me parecem poucas e pequeninas. quando a solidão entra apenas a solidão fica. e assume ela o lugar de acompanhante. para alguns com um cigarro, com um jornal, com um leitor de mp3 ou simplesmente com o som caracteristico de quem anda de transportes publicos. quando a solidão te abraça, parece que só ela existe, e parece a unica companhia que podes ter.