quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

#88


~

das noites roubadas ao sono
falam-me os dentes a verdade.
os meus.
entre o sangue e a saliva.
e tu
não sabes nem sonhas.

a fraude instala-se.
e a verdade...
nem eu sei.

sei escuro e temor
de quem já não sabe.
mas sente.

acordar a meio da noite
pra vir sofrer sozinho
numa terra de ninguém
onde não pertences
não és
e podes mergulhar
sozinho.
seguro.
rever o negrume
desmanchar os sonhos.
esvair.

fica o que há por dizer.
e este buraco
do tamanho de uma insónia
atrás da outra
atrás da outra
atrás da outra.

querer acreditar não basta.

.

[eu também tenho os pés frios à noite ]


~


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

sábado, 3 de janeiro de 2015


não é ter resoluções.
é ter atitudes.
sem acção de nada vale ter intenções.

começar por algum lado.
roupa lavada. arrumar gavetas.
tem que haver um plano
tem que haver sempre um plano

arder e aprender.

*


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

sessenta dias.




uma espinha na garganta
todos os dias
a lembrar-me que pela boca morre o peixe.

"nunca digas nunca."
outra vez, para aprenderes.

sentir-te o amor
sentir o amor
sentir-te sair
de casa.

da impotência
nada a fazer.
sem medo, como um abraço
posso adormecer tranquilo:
"fui feliz."
e da distancia a visão.
espaço. tempo. dimensão.

diz que da dúvida nasce o caminho
para onde?

luz. ]

ninguém vê as coordenadas
de olhos abertos.

~

faz-me falta.
[esse] amor.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

terça-feira, 14 de outubro de 2014




ás vezes.
ás vezes tenho medo que no fundo tenhas razão.
mas shhhhh...
é segredo.
*



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

infinito.



Harux e Harix decidiram nunca mais se levantar da cama. Amam-se loucamente e não podem afastar-se um do outro mais do que sessenta ou setenta centímetros. Logo o melhor é ficar na cama, longe dos apelos do mundo. No entanto, o telefone está na mesa-de-cabeceira, e às vezes toca e interrompe os seus abraços: são os familiares que querem saber se tudo está bem. Mas essas chamadas são cada vez mais raras e lacónicas. Os amantes apenas se levantam para ir à casa de banho, e nem sempre, a cama está desarrumada, os lençóis gastos, mas eles não dão conta, cada um mais imerso na onda azul dos olhos do outro. Os seus membros misticamente entrelaçados.
Na primeira semana alimentaram-se de bolachinhas, de que se tinham abastecido abundantemente. Como as bolachas acabaram, agora comem-se um ao outro.
Anestesiados pelo desejo, arrancam grandes pedaços de carne com os dentes, entre dois beijos devoram o nariz ou o dedo mindinho, bebem o sangue um do outro; depois saciados fazem novamente amor como podem, e adormecem para recomeçar quando acordam. Perderam a conta dos dias e das horas. Não são bonitos de ver, isso é verdade, ensanguentados, esquartejados, pegajosos. Mas o seu amor está para além de todas as convenções.



Juan Rodolfo Wilcock






Post descaradamente roubado AQUI.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

segunda-feira, 15 de setembro de 2014




disse-me:
"é condição necessária a toda a mulher com pretensões pseudo-intelectuais possuir um retrato efectuado por um artista do seu tempo" 

domingo, 14 de setembro de 2014

* i n t e r l u d i o


[ dos *nós atravessados ]




. . .
"é a ordem natural das coisas..."
. . .


não.
perdoa-me, mas..
eu não faço parte de uma "ordem".
muito menos  de uma "ordem natural".
a sério.

e quando eu digo a sério, é mesmo a sério..


viver na noite lembra-me em muito a "sweet dreams" dos Eurythmics, sabes.
e observar os outros, ainda que, eu, em estado menos próprio
leva-me a questionar e a considerar a(s) procura(s) de cada um.
até a tua também.

disse eu outrora: "do fácil não reza a história"
por isso não me digas que "é a ordem natural das coisas"
não é.
e ainda que toda a gente procure alguma coisa
e não seja eu uma excepção:
não. não é disso que eu estou a procura.

you're getting me wrong.
all wrong.






[*não confundir nós com nós.]


quarta-feira, 10 de setembro de 2014



Fundo do mar


No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.


Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 7 de setembro de 2014



[interludio]

porque um coração é um coração, e um coração não pode ser de pedra,
daquilo que não vês, fica só o sentido.
unilateral.
sem remorsos. sem rancores. sem espinhas. sem medos. sem merdas.
nada.
nenhumas.
e se assim é,  vamos ser sensatos: sem hipocrisias também.
[repito. sem merdas, ok?]

pra ti porque é teu.
simple as that.

é só isto.

[  ]


terça-feira, 2 de setembro de 2014





There’s two kinds of women—those you write poems about and those you don’t.
— Jeffrey McDaniel