segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

terça-feira, 14 de outubro de 2014




ás vezes.
ás vezes tenho medo que no fundo tenhas razão.
mas shhhhh...
é segredo.
*



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

infinito.



Harux e Harix decidiram nunca mais se levantar da cama. Amam-se loucamente e não podem afastar-se um do outro mais do que sessenta ou setenta centímetros. Logo o melhor é ficar na cama, longe dos apelos do mundo. No entanto, o telefone está na mesa-de-cabeceira, e às vezes toca e interrompe os seus abraços: são os familiares que querem saber se tudo está bem. Mas essas chamadas são cada vez mais raras e lacónicas. Os amantes apenas se levantam para ir à casa de banho, e nem sempre, a cama está desarrumada, os lençóis gastos, mas eles não dão conta, cada um mais imerso na onda azul dos olhos do outro. Os seus membros misticamente entrelaçados.
Na primeira semana alimentaram-se de bolachinhas, de que se tinham abastecido abundantemente. Como as bolachas acabaram, agora comem-se um ao outro.
Anestesiados pelo desejo, arrancam grandes pedaços de carne com os dentes, entre dois beijos devoram o nariz ou o dedo mindinho, bebem o sangue um do outro; depois saciados fazem novamente amor como podem, e adormecem para recomeçar quando acordam. Perderam a conta dos dias e das horas. Não são bonitos de ver, isso é verdade, ensanguentados, esquartejados, pegajosos. Mas o seu amor está para além de todas as convenções.



Juan Rodolfo Wilcock






Post descaradamente roubado AQUI.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

segunda-feira, 15 de setembro de 2014




disse-me:
"é condição necessária a toda a mulher com pretensões pseudo-intelectuais possuir um retrato efectuado por um artista do seu tempo" 

domingo, 14 de setembro de 2014

* i n t e r l u d i o


[ dos *nós atravessados ]




. . .
"é a ordem natural das coisas..."
. . .


não.
perdoa-me, mas..
eu não faço parte de uma "ordem".
muito menos  de uma "ordem natural".
a sério.

e quando eu digo a sério, é mesmo a sério..


viver na noite lembra-me em muito a "sweet dreams" dos Eurythmics, sabes.
e observar os outros, ainda que, eu, em estado menos próprio
leva-me a questionar e a considerar a(s) procura(s) de cada um.
até a tua também.

disse eu outrora: "do fácil não reza a história"
por isso não me digas que "é a ordem natural das coisas"
não é.
e ainda que toda a gente procure alguma coisa
e não seja eu uma excepção:
não. não é disso que eu estou a procura.

you're getting me wrong.
all wrong.






[*não confundir nós com nós.]


quarta-feira, 10 de setembro de 2014



Fundo do mar


No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.


Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 7 de setembro de 2014



[interludio]

porque um coração é um coração, e um coração não pode ser de pedra,
daquilo que não vês, fica só o sentido.
unilateral.
sem remorsos. sem rancores. sem espinhas. sem medos. sem merdas.
nada.
nenhumas.
e se assim é,  vamos ser sensatos: sem hipocrisias também.
[repito. sem merdas, ok?]

pra ti porque é teu.
simple as that.

é só isto.

[  ]


terça-feira, 2 de setembro de 2014





There’s two kinds of women—those you write poems about and those you don’t.
— Jeffrey McDaniel


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

quarta-feira, 13 de agosto de 2014


a Sara dizia-me no outro diz que os famosos morrem aos 3 de cada vez.

deixei no outro dia um post singelo, em jeito de homenagem ao Robbin Williams, com uma sentença do clube dos poetas mortos. entretanto morreu a Lauren Bacall e encontrei isto no social-virtual. fez-me lembrar que eu trouxe um plano.

diz ela:


"I’m not ashamed of what I am - of how I pass through this life. What I am has given me the strength to do it. At my lowest ebb I have never contemplated suicide. I value what is here too much. I have a contribution to make. I am not just taking up space in this life. I can add something to the lives I touch. I don’t like everything I know about myself, and I’ll never be satisfied, but nobody’s perfect. I’m not sure where the next years will take me - what they will hold - but I’m open to suggestions.”
― Lauren Bacall (September 16, 1924 – August 12, 2014)




fui.
sem medo.
voltei.
sem medo também.

da verdade, saberemos depois.
agora importa o agora.
a incerteza são reticências e pontos de interrogação
e não há nada melhor que um descampado para abrir um caminho.
podia ser mas não foi.
pode ser mas não é.
e amanhã?
espera-me. poderei ser.



abre os olhos que já é dia!

agora vou.

e fui.
[sem medo]

terça-feira, 12 de agosto de 2014


era uma armadilha não era?
diz-me.
era um teste?

lanças o veneno no ar, como quem põe perfume
semeias uma pequena ideia, sublime e etérea
e do lado de fora, vês-me cair.

[os homens são fáceis.] 

mas ainda antes. volta atrás.
começou antes, quando ainda sóbria me falavas de "e se's"

não, não esqueci.
não estava distraído.
ouvi-te tão bem que sou capaz de soletrar todas as palavras
ainda que talvez me falhe um pouco a voz.

da armadilha
fui sem medo. voltarei a ir. se me for permitido.
mas agora todos os dias tenho esse "e se" aqui dentro.
esse e o outro.

mas venham mais três copos. ou dez.
e tiremos a história a limpo




era uma armadilha não era?




conta-me tudo não me escondas nada.




quarta-feira, 30 de julho de 2014

»»»




it has to start somewhere
it has to start sometime
what better place than here
what better time than now?



terça-feira, 29 de julho de 2014

[ Ensaio Sobre o Tempo. ]






"Of course the sun won’t always be here to keep us warm. It,  like all things, will die… "

Where the Wild Things Are (2009) dir. Spike Jonze