terça-feira, 10 de junho de 2014
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Há um vazio que cresce. E a cada segundo que passa, mais um segundo de silêncio. Como que preencher o vazio com mais vazio. Um buraco cheio de nada. Dizes 'amanhã'. Mas a unica coisa que eu sei sobre essa palavra é que é longe. Como aquela musica dos Rádio Macau. Um dia alguém me ensinou que não há tempo. Muito menos há tempo para se lhe fazer intervalos. O vazio não espera. Não pára de crescer. E ainda por cima não houve primavera. Que foi feito da estação das paixões? Já não vem. E mesmo que venha, já não chega a tempo. Há um buraco que fez um vazio que criou uma angustia que deitou por terra o que uma corrente de ar levou num suspiro. E agora é só um vazio que cresce. Como que um vazio a preencher o vazio com mais vazio.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
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"No milimetro que nos separa cabem todos os abismos"
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 13 de abril de 2014
quarta-feira, 19 de março de 2014
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Tenho cinco rascunhos feitos, de textos que escrevi para ti ou sobre ti, e que nunca publiquei. Hoje, pelo dia que é podia aproveitar para mandar algum deles cá para fora.
Retratos que fiz de ti.
Apesar de alguns deles já terem uns quantos anos, continuam actualizados, aliás, receio que são daqueles que o hão de estar sempre.
Ver as redes sociais hoje desperta um sentimento que dificilmente conseguirei descrever, que poucos entendem, e que desculpem-me, só eu sinto.
Poderia desejar-te um dia feliz da forma que escolheste sê-lo para ti.
Ainda assim a ironia e a contradição de congratular alguém por algo que esse alguém quis deixar de ser.
Fica o silêncio e esta coisa cá dentro que é só minha.
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sexta-feira, 14 de março de 2014
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auto retrato visto de trás: umas costas tão largas que têm o tamanho de pelo menos quatro gerações.
segunda-feira, 3 de março de 2014
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
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foundraising and giveaway
um apelo simples. se não puderem ajudar directamente, partilhem.
o karma agradece, e eu também. muito.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
pequena pausa para publicidade
este é um post para apelar ao vosso espirito consumista. e visto que é natal apelo a esse espirito também. ah! e eles dizem que até sexta feira ninguém paga portes de envio.
RUN! FOREST! RUN!
http://society6.com/goncaloincendiario
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quarta-feira, 27 de novembro de 2013
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pergunto: é a perspectiva tão somente uma forma de ver? ou é mais uma expressão oportunista?
é uma questão de 'perspectiva' pois.
eu digo-te o que eu acho:
um observador não é um visionário, ainda que um visionário seja necessariamente um exímio observador.
ainda assim um visionário é muitas vezes um oportunista.
ainda assim um visionário é muitas vezes um oportunista.
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aquilo que tu viste, já me era inato antes de me aterrares no colo com os teus sonhos.
podes usar-me a teu bel prazer. podes estampar-te de genialidade e conceptualismo sobre o que apreendeste de mim.
não podes é querer roubá-lo de mim e depois vir passar-me a mão no pelo como se fosse perfeitamente natural. normal.
eu recuso-me a ser mais uma das tuas vitimas.
ganha vergonha na cara.
sábado, 14 de setembro de 2013
domingo, 4 de agosto de 2013
±
era um percurso já traçado. sinuoso. naquela manhã chuvosa, quando decidimos simplesmente ignorar tudo, e por tudo entenda-se TUDO, sabíamos que íamos fazer esse caminho. este. sabíamos onde estávamos. por onde começar. por onde ir. sabíamos aquele início. curiosamente a razão ainda que dissimulada, dizia-nos em voz alta, e lembrava-nos um ao outro aquele que mais obviamente seria o ponto de chegada. sabíamos bem. tão bem. era claro e evidente. e partimos. de mãos dadas, subimos colinas, trepámos rochedos, e sempre de mãos dadas, fomos mais ou menos destemidos, e sem olhar para trás. naquela manhã chuvosa, sabíamos que não havia volta a dar. não existe retorno. é uma ida sem volta. e damos por nós, no vértice mais alto, a arriscar tudo, a tremer de vertigens, sem saber segurar no outro, e olhamos para nós. estamos outra vez num abismo. e ninguém trouxe pára-quedas.
domingo, 21 de julho de 2013
sábado, 6 de julho de 2013
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dizia aquele spot de rádio "palavras, leva-as o vento".
não chegam. vão e vêem conforme a corrente.
não sobrevivemos delas, porque se nos alimentam a alma mas são vazias de significado
mais tarde ou mais cedo vão acabar por nos deixar vazios também.
Não adiantam palavras se não temos acções.
Pior. Não adiantam palavras se temos acções opostas e contraditórias.
Aquele que um dia disse "quanto mais me bates mais eu gosto de ti", puta que o pariu.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
sábado, 29 de junho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
§
“Eu, no fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está por baixo. Não é minha culpa se de vez em quando me saem monstros.”
José Saramago |
quarta-feira, 5 de junho de 2013
do Amor incondicional.
e digo ainda que o sangue que nos corre nas veias tem uma origem, mas diz que a naturalidade do percurso é não fazermos dos erros dos nossos antepassados os nossos erros. diz-me a vida que o orgulho sempre trouxe de manda dada o remorso.
[eu não sei onde tenha errado. não acho que tenha errado. não sinto que tenha errado.]
em todo o caminho que fiz, sempre tentei ser fiel ao que sinto e acredito.
nesse caminho, embora a minha maneira sempre te amei.
nesse amor, nesse caminho, nesses principios existe um padrão
não posso corrigir o que não entendo, e assim espero, enquanto a tristeza corrói, o mal entendido se instala e a esperança de que o orgulho se te desvaneça, oscila frágil e ténue, a fazer levantar o véu sobre a dor. ainda assim, mantenho na mesa de cabeceira o retrato de que, o que nos une, é incondicional. devias sabê-lo.

quinta-feira, 30 de maio de 2013
Casa.

©Javier Vallhonrat
Lar é onde não sabes quem sou. Onde me ensinas a chamar-te um nome ausente de significado.
Onde cultivas a dor, e pior, onde matas os teus.
Lar é onde destróis o sentido da palavra.
É aquele sítio de onde só não fogem aqueles que não podem.
Uma obra de ficção.
domingo, 19 de maio de 2013
quinta-feira, 16 de maio de 2013
sábado, 6 de abril de 2013
§.
“Começada já há alguns anos, O silêncio de… é uma escultura em evolução, permanentemente a crescer. Escrevo à mão, o tempo é meu amigo. Mas, cansado das palavras, queimo quase tudo o que escrevo e encerro algumas das cinzas em caixas de aço, seladas. O fogo purifica e protege a vida, permite trabalhar o ferro e reduzir a cinzas os corpos e as palavras inúteis. Se escrever pode ser um acto de libertação, queimar as palavras também o é. Talvez nunca decifremos o segredo do tempo que passa, nunca encontremos uma resposta. Também um dia a pele quente, percorrida pela discreta e enigmática palpitação das veias, a pele onde repousa suavemente o medo de ter medo, se converterá numa belíssima teia de linhas que contarão a longa história de uma vida: a história de todos os caminhos, desvios e interrupções, a memória da dor mas também a memória da paz e do regresso, da descoberta e do espanto. Depois ela virá a transformar-se em pólen que, levado pelo vento, espalhará a floração das memórias e dos segredos.
Este livro regista a evolução de um caminho, da forma que julgo ser a mais certa, a mais ajustada, a única que me é possível, em todo o caso. Para o fazer com clareza, localizámos e datámos cada texto, assumindo todos os defeitos e todos os excessos próprios e insubstituíveis. Estes textos não possuem outra importância para além da esperança de que possam servir a quem por eles se interesse ou até aproximar alguém do meu trabalho de escultura, completando alguns dos seus aspectos. Mas a verdade é que espero que as minhas obras sejam melhores do que as minhas palavras e que delas não precisem. Cada obra é sempre mais complicada do que as nossas pobres teorias. A rigor, a única contribuição que um artista deveria trazer a um debate é a sua obra. As palavras poderão orientar, mas nunca deverão servir de desculpa nem de justificação. De resto, tudo é possível: há artistas que gostam de falar e há os que detestam; alguns querem dialogar, outros não conseguem, mesmo querendo; uns gostam de escrever e outros exprimem-se pelo silêncio.”
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
obrigado a todo este terrível frio que se abate. é que assim ninguem se questiona sobre a razão porque tremo.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
[Es]finge.
é essa a grande falácia que eu vejo. estarei eu de todo enganado quando [me] olho e vejo alguém que não podes salvar, consertar? eu vejo as premissas das quais partimos em direcção ao outro, degraus não só de dimensões diferentes, mas de escadas diferentes. e eu posso estender-te a mão para me agarrares, mas quando me mostrares que não deixas nenhum de nós cair. até lá estou aqui, no mesmo canto de sempre, a espera que me consigas ler nas entrelinhas. porque a razão está do lado de quem a quer ver. de quem a procura. nota que para isso é preciso entender os dois lados do tabuleiro.
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