quarta-feira, 8 de setembro de 2010



É Lisboa de madrugada e chove arduamente sobre os ninhos de cegonha que povoam a cidade suspensa sobre as cabeças transeuntes. 
O relógio marca a hora fatídica como um adeus marcado pelo tempo. 
Não existem muitas diferenças entre as chuvas de Abril e as de Setembro.

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©acoldzero



sábado, 28 de agosto de 2010



para não te perderes pensas 
em deixar marcas pelo caminho 
guiar-te pelo barulho dos carros 

todos os dias fazes a mala 
e improvisas mapas com o lápis 

viagens para o muito longe 

mas continuas sentada na sala 
e os únicos caminhos são 
rastos de migalhas e lágrimas 

é à sua sombra que vais continuar 
a usar o lápis vermelho 

e as árvores lá fora são apenas 
pontos sem nome marcados 
a verde no mapa 



Maria Sousa







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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

sábado, 14 de agosto de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

interludio

Um mês depois das ultimas palavras proferidas, o silêncio mantem-se. Com ele todos os bens e males que em si carrega e consigo a mesma direcção tomada. Ficam acordes. Notas. Tons. Tonalidades. Na ausência de mim fica a intenção. Não é boa nem má, e delas tá o inferno cheio, assim como a minha vida. Serve a presente nota apenas para dizer que ainda respiro.



© Explosions In The Sky - First Breath After A Coma ( do album "The Earth Is Not A Cold Dead Place" )

quarta-feira, 16 de junho de 2010

sobre a cama de ferro que chia




Pousados e algo frágeis, cantam orquestras atonais de sinfonias grotescas. Caminham suavemente, um atrás do outro. Primeiro ela, depois ele. Ele solta onomatopeias roucas como que num ritual de encantamento e precedendo um movimento meticuloso de aninhamento no seu ombro, ele dança sublime sobre si próprio, fascinante. E onde outrora pueril, habitava o sabor de si sobre um monte de feno enrolado no prado, agora vem o cheiro a sabão da roupa lavada a secar no estendal, ao vento. Canta sobe um fundo mareado. Marmoreado. Marcado pelo ritmo ondulante do alcatrão que desce até à praia deserta e rochosa. Ele não sabe dela amanhã. Sabem a sinfonia dos pássaros que voam para lá do horizonte, que se escondem atrás do mar, entre o odor a pinho e o sal na pele. E isso basta. Cantam juntos uma canção que nem eles sabem. Que não sabem traduzir ou escrever. São.



sexta-feira, 28 de maio de 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010