segunda-feira, 23 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

sábado, 14 de agosto de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

interludio

Um mês depois das ultimas palavras proferidas, o silêncio mantem-se. Com ele todos os bens e males que em si carrega e consigo a mesma direcção tomada. Ficam acordes. Notas. Tons. Tonalidades. Na ausência de mim fica a intenção. Não é boa nem má, e delas tá o inferno cheio, assim como a minha vida. Serve a presente nota apenas para dizer que ainda respiro.



© Explosions In The Sky - First Breath After A Coma ( do album "The Earth Is Not A Cold Dead Place" )

quarta-feira, 16 de junho de 2010

sobre a cama de ferro que chia




Pousados e algo frágeis, cantam orquestras atonais de sinfonias grotescas. Caminham suavemente, um atrás do outro. Primeiro ela, depois ele. Ele solta onomatopeias roucas como que num ritual de encantamento e precedendo um movimento meticuloso de aninhamento no seu ombro, ele dança sublime sobre si próprio, fascinante. E onde outrora pueril, habitava o sabor de si sobre um monte de feno enrolado no prado, agora vem o cheiro a sabão da roupa lavada a secar no estendal, ao vento. Canta sobe um fundo mareado. Marmoreado. Marcado pelo ritmo ondulante do alcatrão que desce até à praia deserta e rochosa. Ele não sabe dela amanhã. Sabem a sinfonia dos pássaros que voam para lá do horizonte, que se escondem atrás do mar, entre o odor a pinho e o sal na pele. E isso basta. Cantam juntos uma canção que nem eles sabem. Que não sabem traduzir ou escrever. São.



sexta-feira, 28 de maio de 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

[re-post]



               meu sonho tem boca
               que o digam meus ossos
               tem dois olhos sobre a nuca

               e reza todos os dias
               que em todas as horas
               houve um tempo
               sem mentira





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© acoldzero

interludio

venho por este meio informar que fui obrigado a colocar restrições de comentários no meu blog (pela primeira vez em 5 anos) por razões do foro pessoal. espero que tal facto não vos venha prejudicar no vossa forma de interagir com este espaço.
sem mais
obrigado pela vossa compreensão

a gerência

domingo, 25 de abril de 2010

we shall meet in a place where there is no darkness*



Once upon a time there was you, on an April morning. Then you died, on an April morning.

(partindo do pressuposto da continuidade deste recanto a partir d'a insustentável indefinição do ser, devo dizer: Parabéns.)


*from The Broadway Project - London Broken Heart



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segunda-feira, 12 de abril de 2010

colour me b[L]ack

Faz-te luz e aparece. Já é tempo. Já faz tempo. Faz-te mais que essa sublime ideia. Cresce e aparece. Dá de ti e vem(-te).
Amanhã amanheço do lado esquerdo da cama, a abraçar o vazio que deixas. Aperto ligeiramente a almofada e imagino o teu cheiro. São sete da manhã e a luz matinal aperta-me o estômago. Rebolo para o outro lado e fico a olhar-te, invisivel.
Sussurro entre-dentes "não desistas de mim". Não sei se é a ler-te os lábios ou se é mais um desabafo só meu. 
"Acorda-me e mostra-me do que sou feito antes que o tempo me apague a razão."















terça-feira, 6 de abril de 2010

interludio

desde que comprei a minha primeira digital que os "clicks" passaram a acontecer a um ritmo frenético, impulsivo e quase doentio. cheguei a ser apelidado de papparazzi durante alguns anos. eu e o Márcio, que me pegou o bicho e que eu tentava seguir atentamente e aprender com ele o máximo que podia. o Márcio era o autodidacta com todo o potencial do mundo, eu era o Watson da história. posto isto, não deve ser de estranhar que as toneladas de ficheiros digitais que o meu disco externo carrega são assim imensas. não consigo precisar um valor total, mas sei que o contador da máquina deu a volta umas quantas vezes, até que um dia ma roubaram. um assalto. lá se foi a menina dos olhos de ouro. uns meses depois juntei uns trocos e comprei outra. não tão boa como a primeira, mas desenrascava. tem desenrascado até hoje.
das toneladas de ficheiros digitais que tenho, a grande maioria são lixo, mas posso orgulhar-me de alguns disparos que fiz. são esses disparos que decidi evidenciar no meu mais recente recanto virtual. isso mesmo. decidi fazer um tumblr só com fotos minhas desde que me lembre de ter maquina. com alguma sorte podem tambem ver digitalizaçoes de analogicas, mas mais la para a frente. por agora ficam apontamentos desta vida passageira.



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PS- Podem visitar esse novo recanto AQUI

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sigo-te pelo espelho retrovisor enquanto me afasto lentamente em direcção à caverna. Do lado de cá pareces sublime e curvilínea, ideia cliché mas apetecível, como não podia(s) deixar de ser. Fico a observar-te, voyeur, como quem te quer mas não pode, e vejo-te desaparecer suavemente por entre as linhas demarcadas dos edifícios. Fictício. Não és própriamente tu mas a ideia que carregas, tal qual todas as outras. Não são iguais, mas transportam algo em comum.
Dizes-me até amanhã, que tem de ser que te vais, mas amanhã sabes bem, talvez seja longe demais. Canta a canção. Entretanto ouço outra. Uma instant street vinda de outro além. já não sei ao certo o que a letra diz mas sinto aquele feeling.
Alguma vez te disse que gosto de tipas com sardas?




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quinta-feira, 18 de março de 2010

Em cima do monte (de vénus) ao fundo da paisagem, entre os ténues e sublimes raios de sol que erradiam por entre as nuvens de algodão doce que pairam sobre o céu (da boca), jaz a clepsidra que marca compassadamente o ritmo da ausência acompanhada do odor das magnólias cor-de-rosa que florescem primaveris junto ao caudal do rio que passa. Os melros sobrepõem-se à tua voz e parecem criar uma nova linguagem sobre as tuas palavras, atribuindo-te um discurso dislexico e sem nexo feito de onomatopeias de penas caídas.
Trémulo, deslizo o meu pensamento sobre ti e dispo-te como se tivesse decorado cada linha do teu corpo, mesmo sem nunca te ter visto. Deitada sobre folhas de cerejeira caídas num vale algures no oriente, observo-te, tal qual Danae de Klimt, e atrás do meu manto de oiro, voyeur, sinto-me, perdido e não achado, à espera de ser encontrado. Sou quem nunca fui e por isso permaneço encerrado, no escuro, à espera que se abra a fenda para entrar, e no momento certo, com meu manto de oiro cobrir-te.




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