segunda-feira, 28 de novembro de 2011


Cheguei a Lisboa no dia 31 de Janeiro de 2008. Trazia comigo uma mala de sonhos e desejos, e este álbum no mp3. Durante o mês de Fevereiro, vivi numa casa que não era a minha. Que não me pertencia. Que não tinha o meu nome em lado algum. Aprendi um caminho e uma rotina que não eram os meus. Um percurso. Todas as noites chovia. Muitas vezes durante o dia também. Lembro de um quarto com uma janela pequena, por onde mal conseguia espreitar e onde ouvia passar os autocarros da carris, dia e noite, e o trânsito de uma cidade que ainda não era a minha. Acho que nunca chegou a ser e provavelmente não será dia algum. Ouvir esta música traz-me muitas memórias. Memórias que justificam, àqueles que não entendem que lhes diga: o White Chalk é sem duvida o meu album preferido da PJ. Ouvi-o dia e noite durante aquele mês..
Quero apesar disto agradecer o mês de Fevereiro de 2008 à Silvia, que cuidou de mim como pôde, me acolheu e de alguma forma me salvou, mesmo sem saber.
Hoje chove-me nas maçãs do rosto e aperta-se-me o peito de uma angústia que não posso contar, e entre outras tantas coisas, revejo mil imagens daquele mês. Hoje a insónia sabe-me a este giz branco, por isso deixo-o aqui apontado, como quem queima com um ferro, para jamais esquecer, do que realmente me cobre e me abraça.


programa completo aqui.

domingo, 27 de novembro de 2011


"Esperar."
A palavra que carrega consigo a faca que se espeta no peito enquanto nos aperta a garganta. Mas não nos atira ao chão ou contra a parede.
É uma injecção intra-venosa de luz branca nos pulmões que nos rouba o espaço ao ar.


sábado, 26 de novembro de 2011



Gostava de escrever, agora, sem qualquer tipo de significado subjacente, sem qualquer tipo de conotação subliminar. Sublime.Desprendido. Sem o peso do "e se...". Sem os segundos significados e as interpretações. E não é não saber, é não poder.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Five Rings



O Rui Chafes dizia que estas palavras são para ser ouvidas, e não lidas, contudo esta é a única partilha que me é permitida.
Apesar de tudo ainda trago a voz da Orla Barry a ecoar-me nos tímpanos.



I remember memory as if it were a memory.
I remember standing outside myself, outside the world.
I remember my brain continually obliterating the words to describe existence.
I remember thinking that thinking is a chameleon,
changing with the conditions that go on around thought.

I remember being too full to remember...
I remember recounting,
I remember, remembering without images,
I remember rehearsing memory through voice.
I remember speaking a poetic language.
A language that is removed from speach,
one that does not allow for communication
but for interpretation and reinterpretation.

I remember the colour of the air
and the sun burning through my clothes.
I remember the brain sunburn.

I remember looking for a place where I could extend my thoughts,
but they hung in the air around me.
I remember words leaving my mouth without me.

I remember someone with a fairground style enlightenment.
I remember them saying:
'What does a mirror look like when it is not working?'

I remember when presence started to lead to absence.
I remember overdose cities, where people really thought input always led to output.
I remember the cities stinking air, as warm and smelly as the air from a tire.

I remember not being allowed to take a joke to the point that it might have gotten funny.
I remember forgetting how to joke.
I remember the blankness.
I remember  suspended meaning.
I rememberun-framing memory and every image I ever had collapsing into the dark.
I remember loosing the image of the recently departed.
I remember ringing the wrong doorbell and being cornered by the unknown.
I remember a permanent compression of energy.
I remember a dream that to get married you needed five rings.
I remember someone asking me: 'Can you do something you  can not say?'




Orla Barry

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011




"O Tarkowsky costumava dizer, acerca da obra de arte, que o artista pegava no seu medo, dava-lhe forma e chamava-lhe deus."

Rui Chafes