quinta-feira, 29 de outubro de 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

sinto o Outono a voltar, devagarinho, e com ele o intimisto e o mistério das noites longas. trago no corpo as dicotomias e os anacronismos de quem procura sem encontrar e a vontade de ter sem poder. o meu coração tem pêlos. é um orgão débil. de grande potencialidade, mas débil. com a chegada do equinócio fica mais cristalino e os tons entre o purpura e o turquesa acrescem-lhe a face enaltecida dos trejeitos que ele não tem para ser um simples e normal orgão. tem o azul rasgado da maçã e a bandeja de prata a ganharem pó e cheiro a mofo.
o mundo em volta é um complexo de causas-efeitos a acontecerem sem lógica aparente. aparentemente sem razão. apenas aparentemente. para lá do perceptivel são os numeros, entre a elipse e o circulo perfeito. 3,14159265. e entre o esquecimento induzido pela química são os dias inertes e vazios. bate forte o branco enevoado e o vapor húmido como neblinas numa caixa de cartão amolecida que é a minha cabeça. e os meus olhos cegos não vêem para lá do que é alcançado até à bandeja de prata onde começa e acaba, de forma cíclica, o pulsar entre os pêlos deste meu orgão.


©acoldzero


não tenho faixa de banda sonora para colocar, mas posso dizer que tenho estado a ouvir Portishead em repeat hà já algum tempo...


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

nebulosas



A vontade é impotente perante o que está para trás dela.
Não poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, é a angústia mais solitária da vontade.
É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela.





Nietzsche





acoldzero
making of

acoldzero
@ Exposição de Finalistas ESAD.CR 2007



"quando eu morrer" de luis vieira campos

segunda-feira, 12 de outubro de 2009


1


quando aqui não estás
o que nos rodeou põe-se a morrer

a janela que abre para o mar
continua fechada só nos sonhos
me ergo
abro-a
deixo a frescura e a força da manhã
escorrerem pelos dedos prisioneiros
da tristeza
acordo
para a cegante claridade das ondas

um rosto desenvolve-se nítido
além
rasando o sal da imensa ausência
uma voz

quero morrer
com uma overdose de beleza

e num sussurro o corpo apaziguado
perscruta esse coração
esse
solitário caçador




Al Berto






©acoldzero

sábado, 10 de outubro de 2009

mixtape de Outono

aqui vai. apeteceu-me. estava inspirado (ou não, depende dos critérios). gravei uma mixtape nova. é do Outono, mas não é do Outono de todos. é um Outono para aqueles que gostam ou simpatizam com o sub-género que aqui se retrata, e para os curiosos que mesmo achando que isto é uma grande banhada, não deixam de ter curiosidade em ouvir e acabam por bater o pé e abanar a cabeça discretamente. eu considero-me uma pessoa eclética a vários niveis, e acho que o sou mesmo dentro dos mesmos sub-géneros, daí poder afirmar que dentro dos 63 minutos que aqui se apresentam, muita gente que acha que não gosta desta porra ía ficar admirada e dizer: txiii, mas isto também é drum&bass?
mas eu não estou aqui para dar lições de moral a ninguém. é uma sugestão. não é só disto que vive o meu sentido auditivo (e por ventura outros) mas é disto que são feitas as tardes de limpezas e umas quantas noites de dança frenética. é também disto que são feitas tantas viagens, quer fisicas quer psicológicas.
e para finalizar, eu gosto de misturar. nao apenas de passar musica que eu gosto, mas de subverter essas musicas e transforma-las em coisas novas. e gosto das ambivalências que estes sub-géneros permitem. (sempre quis usar a palavra ambivalências)
antes ainda de me despedir aviso que a mixtape está divida entre 30m de dubstep no inicio e 30m de drum&bass a finalizar.

surpreendam-se. (ou não)

terça-feira, 6 de outubro de 2009



62

Ao fundo do ser há uma luz
que não se manifesta por palavras.
Poderei aproximar-me dela
sem o sacrilégio da linguagem?





Casimiro de Brito.

Jeff Bark
imagem: Jeff Bark

breve descrição de paisagem sonora

tenho uma playlist de musicas que me apetecia despejar aqui. porque todas fariam sentido para marcar o momento, o dia, o segmento de tempo, tudo isso e qualquer coisa mais. Podia deixar aqui o silêncio em vez disso, mas já o fiz com o Cage hà tão pouco tempo e não me parece bem ser assim repetitivo. Acho que o mais adequado será um Night Passage Demixed do Alan Lamb. Infelizmente nao encontro de onde possa postar, por isso faço assim uma breve descrição para imaginarem como é. É assim um som muito estranho que começa quase sem se ouvir, muito ténue, e vai aumentando de intensidade muito devagarinho e onde se ouve tensão de electricidade a passar. As musicas são variações dessa intensidade e são faixas longas, de 10 a 15 minutos, às vezes mais. Foi o meu professor de Pintura do terceiro ano que me arranjou o cd. Como a musica é feita à base de graves, tem que ser escutada num bom sistema de som ou com uns bons headphones (o proprio disco traz advertencia para isso, correndo as pessoas o risco de danificar o sistema de som). no fundo é esta a mensagem que tenho para passar. Tensão. com N. Essa.
Também anda por aí da outra, mas dessa agora não reza a história.



ps-conseguem ouvir uns previews se tiverem conta no Last.FM



domingo, 4 de outubro de 2009

Domingo




o estado do tempo [platónico]

amanhã é domingo, o pior dia da semana, mas faz desta a melhor madrugada. depois de uma semana de tantas 'viagens', espera-se um domingo de ressaca sangrenta e da companhia do outro Eu. Prevê-se o regresso do silêncio.



©acoldzero




PS-Hoje é sábado, fui a uma festa indie e escrevi um bilhete a uma ±desconhecida como quem escreve uma página do diàrio e a oferece sem pensar nas hipotéticas consequências.
Apeteceu-me. Mas não foi nada pessoal. O bilhete não falava sobre ela, falava 'dela'.

PS2-Já estamos no Outono à duas semanas e ninguém me disse nada! E eu até penso na luz que incide sobre a tua face todos os dias. Os tons são os mesmos, como é que eu não dei por nada?